Estresse Gestacional - como ele influencia no desenvolvimento humano


Na semana passada, eu fui convidada pelo nosso parceiro SAL - Cuidados Integrados do Ser Humano,  para participar de uma palestra sobre "Como o estresse gestacional repercute no desenvolvimento humano?"


Neste encontro estavam reunidos médicos, psicólogos, terapeutas de diversas áreas, pacientes e mães. A palestra foi ministrada pela psicóloga clínica Sueli Lelis e pelo ginecologista e obstetra Dr. Alberto D'Auria.

Por ser uma palestra relacionada com a área da saúde, os palestrantes usaram termos relacionados ao Universo (como grande força geradora e nutriz), onde cada um pode interpretar de acordo com as suas crenças , valores e princípios.

A formação do ser humano desde o princípio, é baseada na formação de vínculos. "A criança é um projeto da alma materna", segundo Winnicott , pediatra e psicanalista inglês.  Portanto o desejo da mãe é um dos principais fatores para o desenvolvimento da gravidez.  Mas não só isso é o suficiente. A mulher deve ter uma condição interna para receber e aconchegar o bebê no útero materno. O útero é reflexo da alma, o que eles chamam de útero de veludo. 

Para a fecundação ocorrer deverá estar em equilíbrio com o universo. É uma reação química, mas ainda é um mistério para a ciência.  Até hoje nenhuma tecnologia conseguiu vencer a conspiração do universo. Por isso muitas inseminações e fertilizações in vitro não são bem sucedidas. Se a tecnologia conseguisse vencer todas as barreiras, não haveriam casos de insucessos. 

Nossa vida é permeada por ritos de passagem, e um dos mais difíceis é o rito de passagem da mulher para mãe. A mulher tem que estar preparada para querer mudar, tanto fisiologicamente quanto emocionalmente. E isso faz uma tatuagem emocional no pequeno ser que ela esta gestando. 

Durante a vida intra útero nós não temos ego (componente psicológico da personalidade- segundo a psicanálise), somos apenas sensitivos (só sentimos o que nos é passado). Com 35 semanas de gestação, há o primeiro sentimento de solidão descrito pela literatura, quando o feto sente que não é o corpo da mãe, e ele começa a sua jornada para nascer. Nascer não é fácil, e é o primeiro rito de passagem. 

Se a mulher  aceitar e consentir essa gestação, o desenvolvimento psíquico do feto será muito melhor. E diversos fatores influenciam sobre esse período. Todas as interferências externas (sejam familiares, financeiras, sociais) e mesmo as internas (hormonais) podem gerar quadros de estresse gestacional e que deixarão marcas para sempre na vida  do indivíduo.


Tipos de estresse durante o período gestacional:  

* Estresse fisiológico (doenças, abuso de drogas, desnutrição e etc..)

* Estresse psicológico (medos, angústias, ansiedades primárias e secundárias, violências socais, violência doméstica, etc..)

Essas condições, afetam diretamente o bebê podendo-o levar à sofrimento fetal. O desenvolvimento corporal do bebê acompanha o campo energético da mãe.  A mãe que consente na gravidez,  seu corpo se desenvolve junto com ela, possibilitando o crescimento do bebê também. E o contrário também acontece. 

Diante dessas colocações podemos pensar que a mulher (que gesta) é sempre culpada de tudo. Mas não é assim. A culpa está sempre presente na cabeça da gestante, e da recém mãe, e muitas vezes tem um papel destrutivo e improdutivo, deixando marcas na alma do pequeno ser em desenvolvimento. Cabe a todos que estão ao redor dessa mulher, identificar tais angústias e minimizar seus efeitos. Em alguns casos mais específicos, acompanhamento e tratamento se faz necessário.

Impossível não sair dessa palestra, e não pensar no que vivi. Minha gestação foi marcada por sentimentos de angústias, devido ao meu quadro clínico (sou hipertensa e cardiopata há alguns anos, e sempre escutei que a minha gestação seria de risco). Para eu poder engravidar houve toda uma preparação do meu corpo, em relação a mudanças dos medicamentos de uso contínuo. Mas não preparei psicologicamente ( hoje vejo que isso não foi bom), eu queria muito engravidar e quando consegui um medo muito grande tomou conta de mim, e muitas vezes me impossibilitou de viver mais intensamente a minha tão sonhada gestação. Em contrapartida , meu sentimento era tão forte, que eu queria que ele vingasse, que todo meu amor de se canalizou na minha força motriz.

Apesar de todo o medo, toda a insegurança durante o período gestacional, apesar do repouso absoluto, eu sempre quis que ele viesse ao mundo, e isso fez toda a diferença. Minha força para manter a gestação,  minha fé em algo além de nós, me manteve firme até a sua chegada. Não foi fácil, e ainda tenho essas marcas muito fortes em mim.

Culpa, tive e ainda tenho muitas vezes, quando lembro do quanto emocionalmente abalada eu vivi a minha gestação, hoje entendo que com apoio especializado, ou pelo menos um obstetra mais humano, fariam toda a diferença, mas não foi o que tive. Tenho a certeza que tudo o que passei me fortaleceu ainda mais o meu amor e a vontade de tê-lo nos meus braços.

Sei que fiz e faço o meu melhor, pelo menos tento, e isso diminui as angústias dentro de mim.  Se deixei marcas no meu filho, só o tempo irá dizer, mas espero estar ao seu lado para poder repará-las caso elas apareçam.

Espero que quem leia esse texto, reflita no que estamos deixamos de legado para os nossos filhos, e se estamos no caminho certo para a formação de seres humanos melhores. Eu estou tentando, com meus erros e acertos, mas estou tentando.



4 comentários:

  1. Parabéns pela sensibilidade em transmitir nosso trabalho para o cuidado e acolhimento da mãe, pensando sempre em nosso compromisso com o desenvolvimento da próxima geração!

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  2. Amei esse post Tati! Não pude ir à palestra, mas você super deu o recado aqui!
    Também passei por estresse fisiologico e psicológico na minha gravidez, como fiquei muito doente tive medo. Graças a Deus superei tudo através da fé, a família também foi muito importante.
    Sei uma coisa, passar por situações assim na gravidez é uma das coisas mais dolorosas que uma mulher pode sentir.
    Gostei do termo "útero de veludo". Um lugarzinho seguro e aveludado, aconchegante, é tudo o que queremos que os bebês tenham dentro de nós, o contrário nos deixa bem tensas né!
    Beijos,

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  3. Muito bom o seu texto, Tati
    Mãe é feita de culpa...é impressionante! Você fez o melhor que pôde naquele momento, tenho certeza disso.
    Sim, uma equipe humanizada facilita e muito este momento tão especial, importante e por vezes difícil.
    O estresse é algo muito complicado e infelizmente muitas vezes banalizado
    Parabéns, querida!
    Bjs

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  4. […] hipertensivo, tinha mais de 35 anos. Foram momentos de muita tensão. Já disse em outro post (http://tripbaby.com.br/2016/08/24/estresse-gestacional-como-ele-influencia-no-desenvolmento-humano/) o quanto essa situação mexeu […]

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